Turno do Pai   Turno do Pai
ED 135
{{saudacao | Bom te ver por aqui.}} {{saudacao_nome | }}
              
{{ofensiva_curta | comece hoje}}
Ver ofensiva →

Você escolhe a edição de amanhã: a votação está no fim desta edição.

A nota 8 do Apgar e a mão roxa do bebê

A nota do primeiro minuto mede cor, batimento e respiração, e um 8 não diz nada sobre o futuro do seu filho.

Pai observa a enfermeira examinar o recém-nascido no berço aquecido

As mãos roxas do primeiro minuto

▼

8 de 10. Foi a nota que a pediatra falou em voz alta, 60 segundos depois que o bebê saiu, enquanto o pai ainda segurava o celular sem lembrar de filmar.

Ele ouviu o número e travou. Na escola, 8 era nota boa. Na sala de parto, ninguém explicou de onde vinham os 2 pontos que faltavam.

O bebê estava num berço aquecido, sob uma lâmpada forte. A enfermeira secava o corpo com uma toalha morna e esfregava as costas dele. O choro veio alto, depois de uns segundos que pareceram longos.

O pai reparou nas mãos do filho. Estavam arroxeadas, do mesmo tom dos pés. O rosto e o peito já estavam rosados. Ninguém parecia preocupado com as mãos, e ele não sabia se perguntava.

Quatro minutos depois, a pediatra falou outro número: 9. O pai somou de cabeça e não entendeu. Subiu 1 ponto em 4 minutos, e ainda não era 10.

No quarto, horas depois, ele abriu a caderneta de saúde da criança. Na página do nascimento, viu os 2 números anotados à caneta: 8 e 9. Ao redor deles, peso, comprimento, perímetro da cabeça e tipo de parto.

A mãe dormia. O pai digitou no celular a frase “Apgar 8 é ruim”. Apareceu de tudo: fórum de pais, tabela de pontos, relato de criança com atraso na fala. Cada resultado aumentava a dúvida.

Na manhã seguinte, na visita do pediatra ao quarto, ele perguntou. A resposta coube em uma frase: o bebê estava ótimo, a nota tinha cumprido o papel dela, e o papel dela já tinha acabado.

A nota tem dona, data e um propósito bem estreito. Ela nasceu na mão de uma anestesista de Nova York, que queria uma única resposta sobre o bebê recém-nascido, e o resto da história explica por que o 8 do seu filho não significa o que você teme.

Continue lendo ↓

 

Quem banca a edição de hoje

Quantitative Thinkers Are Building Ideas Worldwide on WorldQuant BRAIN

WorldQuant BRAIN is a global simulation and research platform for students, aspiring researchers and quantitative thinkers from around the world.

On BRAIN, that spirit of exploration continues through challenges, collaboration and opportunities to develop new quantitative research ideas.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

I  O Fato da Semana

A anestesista que deu nota ao primeiro minuto

A nota tem nome de gente. Virginia Apgar, anestesista do Presbyterian Hospital, ligado à Universidade Columbia, em Nova York, apresentou o método num congresso de anestesia em 1952. O artigo saiu em 1953, na revista Current Researches in Anesthesia and Analgesia.

Ela começou a carreira em outra sala. Apgar se formou em medicina em Columbia em 1933 e entrou na residência de cirurgia. Em 1937, largou o bisturi e passou para a anestesia, uma especialidade que mal existia como carreira médica nos Estados Unidos.

Na anestesia, ela viu o problema de perto. Na sala de parto, todo mundo olhava para a mãe. O recém-nascido passava os primeiros minutos sem uma avaliação padronizada, e cada médico descrevia o bebê com as próprias palavras: “chorou bem”, “nasceu meio mole”.

A ideia era trocar a impressão por pontos. Apgar escolheu 5 sinais que qualquer pessoa na sala conseguia observar sem aparelho: frequência do coração, esforço para respirar, tônus muscular (a firmeza dos braços e pernas), resposta a estímulo e cor da pele.

Cada sinal vale 0, 1 ou 2. A soma vai de 0 a 10. No artigo de 1953, a avaliação acontecia 60 segundos depois do nascimento completo. A segunda avaliação, no quinto minuto, entrou depois e virou padrão nos hospitais.

O nome virou sigla anos depois. Em 1962, o pediatra Joseph Butterfield, de Denver, publicou no Journal of the American Medical Association uma sigla em inglês com as letras do sobrenome dela: Appearance (aparência), Pulse (pulso), Grimace (careta), Activity (atividade) e Respiration (respiração). Muitos pais acham que Apgar é sigla. É sobrenome.

A nota mudou a sala de parto. Com um número para comparar, os hospitais passaram a medir o efeito da anestesia da mãe sobre o bebê. A própria Apgar usou a nota para mostrar que certos anestésicos dados à mãe deixavam o recém-nascido mais lento para respirar.

Ela nunca vendeu a nota como previsão. O método nasceu para descrever o estado do bebê naquele instante e orientar a atenção da equipe. Apgar deixou a anestesia em 1959 e foi trabalhar na fundação March of Dimes, dedicada às malformações congênitas, até o fim da vida, em 1974.

Na nossa opinião: saber a origem da nota já tira metade do susto. Ela foi feita para a equipe olhar o bebê com método, num minuto de pressa, e não para carimbar o futuro da criança.

 
 

II  Guia Prático

Os 5 sinais que a equipe olha no berço aquecido

A avaliação dura segundos. Quem dá a nota é o pediatra, a enfermeira ou a obstetriz presente no parto. Ela olha o bebê enquanto seca, aquece e posiciona. Não existe exame separado, nem picada, nem aparelho obrigatório.

Os 5 itens e o que vale 2 pontos em cada:

1. Coração. Acima de 100 batimentos por minuto vale 2. Abaixo de 100 vale 1. Sem batimento vale 0

2. Respiração. Choro forte e respiração regular valem 2. Respiração fraca ou irregular vale 1

3. Tônus. Braços e pernas dobrados, com movimento ativo, valem 2. Membros um pouco moles valem 1

4. Resposta a estímulo. Choro, careta ou espirro quando a equipe aspira o nariz ou esfrega as costas valem 2. Só uma careta leve vale 1

5. Cor. Corpo inteiro rosado vale 2. Corpo rosado com mãos e pés arroxeados vale 1. Pele toda pálida ou azulada vale 0

A mão roxa tem nome técnico. Acrocianose (cor arroxeada nas mãos e nos pés por circulação ainda lenta nas pontas) aparece em grande parte dos recém-nascidos saudáveis e pode durar horas ou dias. Ela tira 1 ponto do item cor e não indica doença.

O 10 é raro por esse motivo. Bebê com acrocianose não ganha 2 em cor no primeiro minuto. Somando um tônus que ainda está se firmando, o 8 e o 9 são as notas mais comuns de bebês que vão para o colo da mãe sem nenhum cuidado extra.

O socorro não espera a nota. O Programa de Reanimação Neonatal da Academia Americana de Pediatria orienta a equipe a agir pela respiração e pelo coração nos primeiros 30 segundos e só depois pontua. Se o bebê precisou de ajuda para respirar, a ajuda começou antes de alguém somar pontos.

Nota abaixo de 7 no quinto minuto pede repetição. A recomendação da Academia Americana de Pediatria e do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas é repetir a avaliação a cada 5 minutos, até 20 minutos de vida, enquanto a nota seguir baixa.

As 3 perguntas para fazer à equipe ainda no hospital:

• Qual item tirou os pontos? Quase sempre a resposta é cor ou tônus

• O bebê precisou de alguma ajuda para respirar? Se não precisou, a nota foi só um registro

• Ficou alguma recomendação de acompanhamento? Se não ficou, a nota encerrou o trabalho dela na sala

Anote a resposta na caderneta. Escreva junto dos números o item que tirou os pontos. Em consulta futura, essa linha poupa o pediatra de adivinhar e poupa você de pesquisar de madrugada.

 

Quem banca a edição de hoje

How 2M+ Professionals Stay Ahead on AI

What’s the secret to staying ahead of the curve in the world of AI? Information. 

Luckily, you can join 2,000,000+ early adopters reading The Rundown AI — the free newsletter that makes you smarter on AI with just a 5-minute read per day.

Patrocinadores mantêm a edição gratuita

 
 
 

III  A Conta

O que um 8 prevê, e o que não prevê

O parecer oficial é curto. Em 2015, a Academia Americana de Pediatria e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas publicaram o parecer conjunto The Apgar Score. O texto diz, em tradução livre: “A nota de Apgar, sozinha, não prevê a mortalidade nem o desenvolvimento neurológico de um bebê específico”.

O parecer lista o que muda a nota. Prematuridade, remédios dados à mãe no parto, malformações e até a pessoa que avalia alteram os pontos. Dois profissionais olhando o mesmo bebê podem dar notas diferentes, porque tônus e cor dependem de julgamento.

O maior estudo sobre o tema olhou outra faixa. Brian Casey e colegas, do Parkland Hospital, em Dallas, publicaram em 2001 no New England Journal of Medicine a análise de 132.228 bebês nascidos a termo. Nota de 0 a 3 no quinto minuto se ligou a 244 mortes por mil bebês no primeiro mês. Com nota de 7 a 10, o número caiu para 0,2 por mil.

O 8 mora na faixa tranquila. No mesmo estudo de Casey, de 2001, notas de 7 a 10 no quinto minuto formaram um único grupo, sem separação entre 7, 8, 9 e 10. Para a pesquisa, o 8 e o 10 pertencem à mesma turma.

O primeiro minuto pesa ainda menos. A nota do minuto 1 registra a transição do bebê para fora do útero, quando o pulmão acabou de encher. O próprio parecer de 2015 dá mais valor ao quinto minuto, porque nele o bebê já teve tempo de se ajustar.

Nota baixa também não é sentença. O parecer de 2015 avisa que mesmo uma nota baixa, sozinha, não prova falta de oxigênio no parto. Para esse diagnóstico, a equipe precisa de exames de sangue do cordão, avaliação neurológica e acompanhamento nos dias seguintes.

Quem vigia o desenvolvimento é a consulta de rotina. No Brasil, a Caderneta da Criança do Ministério da Saúde traz os marcos por idade: sorriso social, sustentar a cabeça, sentar, falar as primeiras palavras. O pediatra acompanha esses marcos nas consultas de puericultura, e é essa linha do tempo que mostra se a criança se desenvolve bem.

O que ainda não se sabe. Os estudos não conseguem dizer, para um bebê específico, quanto o primeiro minuto difícil influi na vida adulta, porque a nota mistura sinais diferentes e cada hospital avalia de um jeito. Por essa lacuna, a pediatria trata a nota como fotografia de um instante.

Hoje: abra a caderneta, ache os 2 números do Apgar e escreva junto, em 1 linha, o item que tirou pontos, perguntando à equipe ou ao pediatra na próxima consulta se não souber. A nota tem a história de uma médica que começou em outra especialidade e mudou de rota no meio da residência.

Fica a pergunta  ·  até amanhã

Por que Virginia Apgar trocou o bisturi de cirurgiã pela anestesia em 1937?

★ RARO

🔒

EDIÇÃO SELADA

Quem leu até aqui tem mais um achado desta edição atrás do lacre.

Abrir o selado →
 
 
Quiz da edição

Segundo o texto, quem transformou as letras do sobrenome Apgar numa sigla em inglês, e em que ano?

AA própria Virginia Apgar, no congresso de 1952
BA Academia Americana de Pediatria, em 1953
CJoseph Butterfield, pediatra de Denver, em 1962
DO Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, em 1962

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
Sua avaliação

Como foi a edição de hoje?

👶👶👶👶👶  ótima 👶👶👶👶  boa 👶👶👶  ok 👶👶  ruim 👶  péssima
 
Escolha a edição de amanhã

Qual edição você quer ver amanhã?

Voto aberto até 15/10, 15h30

A Álcool no leite materno →
B Cafeína na amamentação →
C Colar de âmbar →
D Tenossinovite de De Quervain →
 
Recomendação de Newsletter
Mestre do VR

Mestre do VR

O jogo de hoje, quanto custa em reais e quanto tempo ele dura de verdade, em três minutos. No seu email todo dia às 16:16.

Quero receber →

 
Sua ofensiva
🔥 {{streak_atual | 0}} {{streak_titulo | Comece sua ofensiva hoje}} recorde {{streak_recorde | 0}}
Seus últimos 6 dias e hoje
{{ouro_linha | Cada edição vale 10 de ouro: voto, quiz e clique.}}

missão de hoje

📨 Mandar seu link pra 1 pessoa (1x por dia) +10
WhatsApp   Copiar link

Confirmou? +100 de ouro: entra no seu ouro à noite.

{{streak_cta | Começar minha ofensiva}}
{{rank_simbolo | Ⅰ}} {{rank_nome | Aprendiz}} · {{moedas | 0}} de ouro · loja e missões →
 

Turno encerrado. Pro liberis.

TURNO DO PAI

O manual do pai no turno

💬 Receba pelo WhatsApp·✍️ Crie sua Newsletter
📚 Leia o acervo completo