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O foco do recém-nascido quase não ajusta. Em 1965, Harold Haynes, Burton White e Richard Held publicaram na revista Science a medição da acomodação (a capacidade do cristalino de mudar o foco conforme a distância) em bebês. Antes de 1 mês, o foco ficava parado perto de 20 centímetros, qualquer que fosse a distância do objeto.
O ajuste começa no segundo mês. No mesmo trabalho, os bebês mais velhos já mudavam o foco conforme o alvo se aproximava ou se afastava. Perto dos 4 meses, o ajuste ficava parecido com o do adulto.
A nitidez também nasce baixa. A acuidade visual (a capacidade de separar detalhes finos) do recém-nascido é muito menor que a do adulto. Uma letra que o pai lê na parede oposta do quarto chega ao filho como borrão, mesmo dentro da faixa de foco.
O contraste decide o que aparece. Martin Banks e Philip Salapatek, em artigo de 1978 na revista Investigative Ophthalmology, mediram a sensibilidade ao contraste (a capacidade de perceber claro e escuro lado a lado) em bebês de 1 a 3 meses. O bebê de 1 mês só enxergava as listras quando o preto e o branco estavam bem marcados. Cinza claro sobre branco sumia.
A cor chega mais tarde. Russell Adams, da Universidade Memorial de Terra Nova, no Canadá, testou recém-nascidos em estudos publicados nos anos 1980. Os bebês separavam o vermelho do cinza, mas tinham dificuldade com azul, amarelo e tons claros. Pastel encostado em pastel vira uma superfície lisa.
O bebê escolhe o alvo. Robert Fantz publicou em 1963, na Science, um teste com recém-nascidos de poucas horas a 5 dias de vida. Ele mostrava cartões com rosto desenhado, listras, alvo de tiro e cartões lisos coloridos. Os bebês olharam mais tempo para o rosto e para as listras do que para as cores lisas.
Por que o olho nasce assim. A fóvea (a área central da retina, responsável pelo detalhe) do recém-nascido tem células curtas e espaçadas, e o caminho até o cérebro visual ainda amadurece nos primeiros meses. A ciência ainda não fechou quanto do borrão vem do olho e quanto vem do cérebro.
O olhar também cruza. Nas primeiras semanas, os olhos às vezes desviam para dentro ou para fora por instantes. É comum enquanto os músculos aprendem a trabalhar juntos. Desvio constante, ou que segue depois dos 3 meses, pede avaliação com oftalmologista pediátrico.
Na nossa opinião: o rosto do pai a um palmo e meio, com olhos, sobrancelha e boca bem marcados, é o melhor estímulo visual que um recém-nascido recebe no dia.
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