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Esta pauta venceu a urna de 29/09.
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O chiado do bebê que some sozinho até os 18 meses
O som agudo ao puxar o ar costuma ser uma laringe mole que endurece com o tempo. O peso travado é o sinal que pede otorrino.
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O chiado agudo ao puxar o ar
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12 dias de vida, 2h40 da madrugada. Foi quando o pai ouviu pela primeira vez o som agudo que o filho fazia ao puxar o ar no meio da mamadeira.
Parecia um passarinho preso na garganta. Um guincho curto a cada inspiração, que sumia quando o bebê soltava o ar. O pai tirou o bico da boca do filho, esperou, e o som diminuiu. Voltou a dar a mamadeira, e o guincho voltou junto.
Ele passou o resto da noite acordado, com a mão no peito do bebê, contando respirações. O menino dormia de barriga pra cima e o som quase desaparecia. Bastava chorar pra ele voltar mais alto, e mais agudo.
Na manhã seguinte, a pediatra ouviu, pediu pra ver o bebê mamar e fez três perguntas. O bebê fica roxo? Para de respirar? Está ganhando peso? As três respostas foram tranquilas, e ela deu nome ao som: laringomalácia (laringe mole, em tradução direta do grego e do latim).
O nome assusta mais que o quadro. A laringe é o tubo curto no alto do pescoço onde ficam as cordas vocais. No bebê com laringomalácia, a parte de cima dela é mole demais e, a cada inspiração, dobra pra dentro e fecha parte da passagem do ar. O guincho é o ar passando por uma porta meio encostada.
A maioria dos bebês com o quadro nunca precisa de cirurgia. A laringe firma sozinha conforme a criança cresce, e o som vai embora com ela.
Mas existe um grupo pequeno de bebês em que a porta encosta demais. Nesses, o chiado vem com esforço pra respirar, engasgo nas mamadas e uma balança que não sobe. O pai que sabe separar os dois grupos dorme melhor e chega ao consultório certo na hora certa.
Os três blocos a seguir mostram de onde vem o chiado, o que o pai observa em casa e quanto tempo a espera leva, com os números que definem quando esperar e quando levar ao otorrino (o médico de ouvido, nariz e garganta).
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I O Fato da Semana
A laringe que ainda não firmou
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Laringomalácia é a causa mais comum de estridor em recém-nascidos, e estridor é o nome médico do som agudo que o ar faz ao passar por uma via estreitada. O som aparece ao puxar o ar, não ao soltar, e por esse detalhe o médico já sabe que o aperto está no alto da garganta.
O quadro costuma surgir nas duas primeiras semanas de vida. Poucos bebês nascem chiando. O som aparece quando o bebê começa a mamar com mais força e a chorar mais alto, porque os dois movimentos puxam o ar com mais pressão.
A dobra acontece numa região chamada supraglote (a parte da laringe logo acima das cordas vocais). Nessa região ficam a epiglote, a tampa que fecha a laringe quando o bebê engole, e duas pregas de tecido que a ligam às cartilagens de trás. No bebê com laringomalácia, essas estruturas são curtas, moles ou frouxas, e são sugadas pra dentro na inspiração.
A causa mais aceita hoje é neurológica, e não um defeito da cartilagem. Em 2007, a otorrinolaringologista Dana Thompson, da Clínica Mayo, publicou na revista Laryngoscope um estudo mostrando que bebês com laringomalácia têm a sensibilidade e o tônus (a firmeza muscular de repouso) da laringe alterados. O controle nervoso da região ainda está amadurecendo, e amadurece com o tempo.
O refluxo piora o quadro. O mesmo trabalho de Thompson associou o refluxo do estômago ao inchaço da laringe nesses bebês. O ácido que sobe irrita o tecido, o tecido incha, e a porta encosta ainda mais. Por esse motivo o pediatra pergunta sobre golfadas quando ouve o chiado.
O som muda com a posição e com o esforço. Bebê de barriga pra baixo ou de lado, com a cabeça um pouco estendida, costuma chiar menos. Bebê deitado de costas, chorando, mamando ou agitado, chia mais. Durante o sono tranquilo, o chiado pode quase sumir.
O pico vem antes da melhora. O chiado tende a ficar mais alto nos primeiros meses, quando o bebê cresce, mama volumes maiores e respira com mais força, e depois vai baixando até sumir. Segundo a revisão de Thompson de 2007, o quadro se resolve sem cirurgia até os 18 meses na grande maioria dos bebês, perto de nove em cada dez.
O diagnóstico se confirma com uma câmera fina. O otorrino passa pelo nariz do bebê um tubo flexível com câmera na ponta, a nasofibrolaringoscopia (exame da laringe por fibra óptica, feito pelo nariz), e vê a supraglote dobrando a cada inspiração. O exame dura poucos minutos e é feito com o bebê acordado, no colo do pai ou da mãe.
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II Guia Prático
O que o pai escuta e o que a balança mostra
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O pai é quem mais ouve o chiado, e pode ser quem melhor descreve o quadro ao médico. A consulta dura minutos e o bebê pode estar calmo no consultório. As madrugadas mostram o som inteiro.
Os passos pra observar em casa, sem aparelho:
1. Grave o som. Um vídeo de 30 segundos no celular, com o bebê mamando ou chorando, mostra ao médico o que ele não vai ouvir na consulta
2. Olhe o peito sem roupa. Veja se a pele entre as costelas e logo abaixo do pescoço afunda a cada inspiração. O nome médico é tiragem (o afundamento da pele pelo esforço de respirar)
3. Cronometre a mamada. Anote quanto tempo o bebê leva pra terminar a mamadeira e quantas pausas faz pra respirar
4. Anote o peso de cada consulta. O número da balança é a informação que mais pesa na decisão do médico
O chiado sozinho, com bebê bem, pede só acompanhamento. Bebê que chia, mama bem, dorme, se acalma no colo e ganha peso na curva está no grupo que o otorrino chama de quadro leve. O pediatra acompanha nas consultas de rotina.
Os sinais de alerta pedem otorrino sem esperar a próxima consulta. Pausas na respiração durante o sono, lábios ou pele arroxeados, tiragem forte, engasgo ou tosse em quase toda mamada e mamadas que levam mais de 40 minutos pedem avaliação. O peso travado ou caindo pede o mesmo, mesmo sem nenhum outro sinal.
Pronto-socorro é pra falta de ar de verdade. Bebê roxo, que para de respirar por segundos, que fica mole ou que não consegue mamar precisa ser levado à emergência na hora. O pai conta que o bebê tem laringomalácia e mostra o vídeo do chiado.
Algumas medidas ajudam em casa. Dar a mamadeira com o bebê mais sentado, fazer pausas pra arrotar e manter o bebê em pé no colo por uns minutos depois da mamada diminuem a golfada. O pediatra pode indicar remédio contra refluxo quando as golfadas são frequentes.
O sono segue a regra de sempre. A Academia Americana de Pediatria (a AAP, entidade que reúne os pediatras dos Estados Unidos) orienta que todo bebê durma de barriga pra cima, no berço vazio. O chiado fica mais alto de costas, e mesmo assim a posição continua a mesma, salvo ordem do médico.
A cirurgia existe pro grupo grave. Chama-se supraglotoplastia (o corte das pregas curtas da supraglote pra abrir a passagem do ar), feita pela boca, com microscópio, sem corte na pele. O bebê costuma ter alta em um ou dois dias.
Na nossa opinião: o pai que grava o chiado e anota o peso transforma a madrugada em informação que o médico usa.
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