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Quem fez. O BEEP (Barrier Enhancement for Eczema Prevention, ou reforço da barreira para prevenir eczema) saiu do Centro de Dermatologia Baseada em Evidência da Universidade de Nottingham, na Inglaterra. A primeira autora do artigo é a dermatologista Joanne Chalmers; o coordenador é o professor Hywel Williams.
Quem pagou. O dinheiro veio do NIHR, o instituto nacional de pesquisa em saúde do Reino Unido, ligado ao sistema público. Nenhum fabricante de creme bancou o ensaio, e os autores não tinham produto para vender.
Onde. As famílias entraram por hospitais e centros de atenção primária da Inglaterra, entre novembro de 2014 e novembro de 2016. Os bebês nasceram a termo e entraram no estudo antes de completar 3 semanas.
O sorteio. Os 1.394 bebês foram divididos ao acaso: 693 no grupo do emoliente e 701 no grupo de controle. Emoliente é o nome técnico do hidratante que amacia a pele e segura a água na camada de fora.
O protocolo. O grupo do emoliente passava o produto no corpo inteiro ao menos uma vez por dia, até o primeiro aniversário. Os pais podiam escolher entre duas marcas comuns nas farmácias inglesas, e o estudo entregava o produto em casa.
A orientação comum. Os dois grupos receberam a mesma orientação geral de cuidado da pele: banho curto, sabonete suave e nada de produto com perfume. A única mudança entre eles era o creme diário.
A adesão. A maior parte das famílias do grupo do creme relatou uso frequente nos primeiros meses, e o uso caiu ao longo do ano. Os autores rodaram uma análise só com as famílias mais fiéis ao protocolo, e o resultado não mudou de lado.
O exame. Aos 2 anos, enfermeiras treinadas examinaram a pele das crianças sem saber o grupo de cada uma. O critério foi o diagnóstico de dermatite atópica do Reino Unido, com eczema nos 12 meses anteriores.
O resultado. O eczema apareceu em 23% das crianças do grupo do creme e em 25% das do controle. O risco relativo ajustado ficou em 0,95, com intervalo de confiança de 0,78 a 1,16. Como o intervalo atravessa o 1, o efeito não se separa do acaso.
As infecções. O grupo do creme teve em média 0,23 infecção de pele por criança a cada ano, contra 0,15 no controle. A razão ajustada ficou em 1,55: cerca de metade a mais de infecção de pele entre os bebês hidratados todo dia.
O estudo vizinho. Na mesma edição da Lancet saiu o PreventADALL, ensaio feito na Noruega e na Suécia com 2.397 bebês, coordenado pelo pediatra Håvard Ove Skjerven. Banho com óleo e creme facial pelo menos 4 vezes por semana também não reduziu o eczema no primeiro ano.
Na nossa opinião: dois ensaios grandes, em países diferentes, com o mesmo resultado, encerram a dúvida sobre o creme diário como vacina de pele. O BEEP ainda mostrou um custo que o piloto pequeno não tinha como enxergar.
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