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100% escolheram Volante depois da madrugada. Sai em 25/09.
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O olho que escorrega até os quatro meses
O desvio de vez em quando é treino dos músculos do olho. Constante, ou depois dos quatro meses, pede oftalmologista pediátrico.
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O olhar do bebê na mamada da madrugada
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4 meses de vida. É a idade que a Academia Americana de Oftalmologia (American Academy of Ophthalmology, a entidade que reúne os oftalmologistas dos Estados Unidos) usa como limite para o olho do bebê desviar de vez em quando sem motivo de alarme. Até ali, os seis músculos que movem cada olho ainda estão aprendendo a trabalhar em parceria com os seis do olho vizinho, e o cérebro ainda treina a tarefa de apontar os dois para o mesmo ponto.
A cena costuma acontecer na mamada da madrugada. O pai segura a mamadeira, o bebê encara o rosto dele e, por dois ou três segundos, um olho escorrega para o canto do nariz enquanto o outro continua firme. Depois volta ao lugar. O pai pisca, acha que viu errado e, na manhã seguinte, pesquisa no celular com o coração acelerado.
O desvio das primeiras semanas tem explicação física. O recém-nascido enxerga borrado e foca melhor na distância do rosto de quem o segura no colo. Sem imagem nítida nos dois olhos, o cérebro não tem referência firme para alinhar um com o outro, e os olhos derivam quando o bebê está cansado, com sono ou concentrado em sugar.
O pai costuma errar por dois caminhos opostos. No primeiro, entra em pânico com um desvio de segundos num bebê de cinco semanas e passa a madrugada no pronto-socorro. No segundo, ouve da família que olho torto de criança pequena se ajeita sozinho e deixa um desvio constante seguir até o primeiro aniversário. O segundo erro custa mais caro, porque o cérebro aprende a desligar a imagem do olho desviado, e a visão perdida nessa fase dificilmente volta inteira com óculos na idade escolar.
Existe ainda um terceiro engano, mais leve: o olho que parece torto e está alinhado. O nariz achatado e largo do bebê cobre a parte branca do olho perto do canto interno, e a foto de frente sai com cara de estrabismo.
A seção seguinte mostra quem estudou o desvio dos recém-nascidos, por que ele quase sempre some sozinho e qual padrão de desvio foge da regra.
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I O Fato da Semana
O treino de mira que o cérebro faz nos primeiros meses
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A pesquisadora britânica Anna Horwood, da Universidade de Reading, acompanhou bebês desde as primeiras semanas de vida e publicou o resultado no British Journal of Ophthalmology em 2003. O trabalho, intitulado Neonatal ocular misalignments reflect vergence development but rarely become esotropia (desalinhamentos oculares do recém-nascido refletem o desenvolvimento da convergência e raramente viram esotropia), mostrou que o desvio passageiro é frequente nas primeiras semanas e costuma desaparecer nos meses seguintes.
O achado mais útil para o pai está na direção do desvio. Nos bebês de Horwood, o olho escorregava mais vezes para fora, na direção da orelha, e esse desvio para fora raramente virou problema permanente. O quadro que preocupa os oftalmologistas é a esotropia (o olho que entorta para dentro, na direção do nariz) quando ela fica fixa.
Estrabismo quer dizer desalinhamento do par de olhos, e ele tem duas formas no consultório. O intermitente aparece e some, geralmente com cansaço ou sono. O constante está lá o tempo todo, com o bebê descansado, acordado e olhando para você. Até os quatro meses, o intermitente faz parte da maturação normal. O constante, em qualquer idade, pede exame.
A pressa com o desvio constante tem explicação no cérebro, não no músculo. Quando um olho aponta para outro lugar, o cérebro recebe duas imagens diferentes e, para não enxergar dobrado, passa a ignorar a imagem do olho desviado. Com semanas de ignorância, o olho desviado, mesmo sem doença nenhuma, fica com a visão fraca: é a ambliopia (o popular olho preguiçoso). Tratada cedo, com óculos ou tampão no olho bom, ela costuma responder bem; descoberta aos seis ou sete anos, responde pior.
Existe um tipo específico que costuma aparecer antes dos seis meses: a esotropia infantil. O desvio para dentro é grande, visível sem esforço e não vai embora com o tempo. O tratamento costuma incluir cirurgia nos músculos do olho, e a decisão sobre o momento cabe ao oftalmologista pediátrico.
O falso estrabismo engana tanta gente que tem nome próprio: pseudoestrabismo. A causa é o epicanto (uma dobra de pele no canto interno do olho) somada à ponte do nariz ainda baixa e larga. A pele esconde o branco do olho do lado do nariz, e o olhar parece convergir. Com o crescimento do rosto, a ilusão some.
O teste da luz resolve a dúvida entre falso e verdadeiro. Ele se chama reflexo corneano de Hirschberg (o ponto de luz que aparece na córnea, a camada transparente na frente do olho) e o pediatra faz em segundos: com os olhos alinhados, o ponto brilhante cai no mesmo lugar das duas pupilas. A seção seguinte transforma o teste em rotina de casa.
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II Guia Prático
A lanterna, a foto e o caderno de anotações
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A primeira ferramenta é a lanterna do celular. Com o bebê calmo e acordado, segure o aparelho na altura do seu próprio nariz, a um braço de distância do rosto dele, e acenda a luz. Olhe para os pontos brilhantes nas duas pupilas. Centrados nas duas, ou deslocados para o mesmo lado nas duas, o alinhamento está bom. Um centrado e o outro puxado para a borda, o desvio é real.
A segunda ferramenta é a câmera com flash, e ela vigia outro problema. Numa foto de frente, com o bebê olhando para a lente, as duas pupilas devem sair vermelhas e parecidas. O princípio vem do teste do olhinho (o teste do reflexo vermelho, feito na maternidade com um aparelho de luz). Pupila branca, amarelada ou muito diferente da outra na foto pede consulta na mesma semana, porque pode indicar catarata congênita ou retinoblastoma (um tumor de retina da primeira infância), e os dois costumam aparecer também como olho desviado.
A terceira ferramenta é um caderno, ou uma nota no celular. O oftalmologista pediátrico pergunta sempre as mesmas informações, e o pai que anotou chega com as respostas prontas.
O que registrar a cada episódio de desvio:
1. A data e a hora, para mostrar se o desvio aparece só com sono e cansaço ou em qualquer momento
2. Qual olho desviou, direito ou esquerdo, e se é sempre o mesmo
3. Para qual lado ele foi, na direção do nariz, da orelha, para cima ou para baixo
4. Quanto tempo durou, se segundos ou se continuou até você parar de olhar
5. Um vídeo de dez segundos, gravado de frente com luz ambiente, sem flash
Os sinais que pedem oftalmologista pediátrico sem esperar os quatro meses:
1. O desvio está presente o tempo todo, com o bebê descansado e acordado
2. O mesmo olho desvia sempre, e o outro nunca
3. A pupila sai branca ou diferente na foto com flash
4. O olho treme em vai e vem, o nistagmo (movimento rápido e involuntário do olho)
5. A cabeça fica sempre inclinada para um lado quando o bebê fixa o olhar
A parte do pai aqui é a observação na madrugada. O desvio de cansaço aparece justo nas mamadas noturnas, quando é quem está de plantão que vê. Quem chega do trabalho às sete da noite assume o caderno e o vídeo, e leva os registros para a consulta de rotina do pediatra.
Na nossa opinião: a família perde meses quando confunde calma com espera sem prazo. Aos quatro meses completos, se o desvio ainda aparece, o pai agenda a consulta com o especialista, mesmo que tenha ficado mais raro. O exame não dói, dura pouco e troca a dúvida da madrugada por uma resposta com data.
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