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Os cinco testes são gratuitos e obrigatórios na rede pública. O pezinho é coletado em qualquer unidade básica de saúde, e coraçãozinho, orelhinha, olhinho e linguinha são responsabilidade do serviço onde o bebê nasceu. Nenhum deles depende de plano de saúde nem de pedido particular.
Na rede privada, quando a família decide ampliar o painel do pezinho por conta própria, o custo aparece. As versões expandidas de laboratório, que testam dezenas de condições além do painel público, circulam entre R$ 400 e R$ 2 mil, dependendo do número de doenças rastreadas.
Do outro lado da conta está o tratamento que começa tarde. O hipotireoidismo congênito tratado nas primeiras semanas custa um comprimido barato por dia e mantém o desenvolvimento dentro da curva esperada. Descoberto no fim do primeiro ano, o prejuízo cognitivo instalado não volta atrás com remédio nenhum.
A comparação por condição, em uma linha cada:
- Hipotireoidismo congênito: levotiroxina diária de baixo custo contra atraso de desenvolvimento permanente
- Fenilcetonúria: dieta controlada desde o primeiro mês contra lesão neurológica irreversível
- Cardiopatia crítica: cirurgia programada com o bebê estável contra emergência com o bebê em choque
- Surdez congênita: aparelho ou implante com estímulo precoce contra atraso de linguagem que acompanha a escola inteira
O tempo é o insumo mais caro dessa conta, e ele não se compra depois. Nenhum dos cinco testes fica mais barato quando é feito tarde, e vários deles simplesmente perdem a função.
Se o bebê nasceu em casa, em trânsito ou em serviço sem estrutura completa, assuma que nada foi feito. Leve a criança à unidade básica nos primeiros dias e peça a triagem inteira, item por item, em vez de perguntar se está tudo certo.
Prematuro e bebê internado seguem calendário próprio. Coleta de pezinho em bebê que recebeu transfusão ou está em nutrição venosa tem regras específicas de repetição, e a equipe da UTI neonatal controla esse cronograma. Peça a data da próxima coleta por escrito antes da alta.
A linguinha merece uma nota de cuidado. A avaliação do frênulo é obrigatória, e a decisão de cortar depende de dificuldade real de amamentação observada por profissional habilitado, não de escore isolado num formulário. Diante da indicação de frenotomia sem queixa de pega, peça segunda opinião com calma.
Uma última checagem que cabe no bolso do pai: cinco nomes, cinco campos, cinco datas. Pezinho entre o terceiro e o quinto dia, coraçãozinho antes da alta, orelhinha no primeiro mês, olhinho na maternidade e repetido nas consultas, linguinha avaliada com a amamentação em curso.
“Quais desses cinco campos estão preenchidos na caderneta do seu filho agora?”
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