|
O mosquiteiro carrega a fase inteira, e ele erra por folga. A malha fica esticada, presa por baixo do colchão ou num arco firme, longe do rosto. Tecido solto caindo por cima vira risco de emaranhamento.
O dossel decorativo não é mosquiteiro. O tule largo de enfeite passa mosquito à vontade. O que barra é a malha fina, com furo pequeno o bastante pra segurar o Aedes, menor que o pernilongo comum.
O carrinho é o ponto cego da tarde. O Aedes pica de dia, e o passeio de fim de tarde cai no pico dele. O mosquiteiro envolve o vão inteiro, com elástico por baixo do moisés, e não só cai sobre a capota.
Tela na janela vale mais que qualquer frasco. Ela protege sem depender de alguém lembrar e cobre o quarto inteiro nas 24 horas. Porta com tela e ralo com tampa fecham as entradas que sobram.
O ar em movimento é a barreira que ninguém instala. Hoffmann e Miller, na revista Journal of Medical Entomology de 2002, mediram ataques de mosquito num voluntário humano com vento e com repelente em vapor. O vento sozinho já derrubou boa parte dos pousos. O ventilador aponta pra parede, nunca direto no bebê.
Roupa comprida de tecido leve cobre o que a malha não cobre. Manga e perna compridas em algodão fino, pé coberto no fim da tarde e na saída de casa. Cor clara ajuda a enxergar o mosquito pousado.
Agora a prateleira que não entrega nada. Fradin e Day, na revista New England Journal of Medicine de 2002, testaram repelentes com mosquitos famintos em câmara: as pulseiras impregnadas não deram proteção nenhuma, nem as de citronela, nem as de DEET.
O adesivo de roupa segue a mesma lógica. O que ele libera fica no tecido e no ar bem em volta. A perna do bebê a vinte centímetros dali continua descoberta.
Óleo essencial puro não é repelente de bebê. Citronela, andiroba e eucalipto na pele do lactente irritam, sensibilizam e evaporam rápido. Em adulto, a citronela pura rende poucos minutos.
O aparelho de ultrassom já foi medido e não funciona. Enayati, Hemingway e Garner, numa revisão Cochrane de 2007, juntaram os ensaios de campo dos repelentes eletrônicos e concluíram que não há efeito sobre a picada.
Os sinais que trocam a picada comum pela consulta no mesmo dia:
- Febre com manchas vermelhas na pele: consulta no mesmo dia, sem observar em casa
- Bebê largado, molinho, que recusa a mamada: queda de atividade com recusa alimentar é sinal de alarme
- Picada que endureceu e esquentou: vermelhidão crescendo em horas sugere infecção de pele
- Inchaço que fecha a pálpebra ou toma metade do rosto: consulta no dia, ainda mais com febre
- Vômito repetido, choro sem consolo ou fralda muitas horas seca: desidratação em bebê anda rápido
- Qualquer febre antes dos três meses: nessa idade a febre já é o motivo, com caroço ou sem
Na nossa opinião: o mosquiteiro esticado no berço e no carrinho é o item de maior retorno da fase, e a pulseira de citronela é o produto mais caro da farmácia, porque troca proteção por sensação de proteção.
|