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A conta do calendário. A Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, marca as consultas de rotina do primeiro ano: primeira semana, um mês, dois, quatro, seis, nove e doze meses. São 7 encontros, e cada um é uma chance de repetir o exame.
A conta do tempo. Se o exame leva meio minuto, as 7 consultas somam três minutos e meio no ano inteiro. É menos do que a fila da farmácia para comprar o antitérmico.
A conta do custo. O exame não pede material além do oftalmoscópio, já presente no consultório. No SUS e no plano de saúde, ele entra na própria consulta, sem cobrança separada.
A conta da janela. Na catarata densa dos dois olhos, a cirurgia costuma ser marcada nas primeiras semanas de vida. O cérebro aprende a enxergar nos primeiros meses, e um olho sem imagem nítida nessa fase pode ficar com a ambliopia (o olho preguiçoso), visão fraca mesmo depois de corrigida a lente.
A conta da sobrevida. Em 2020, o Global Retinoblastoma Study Group publicou na revista JAMA Oncology a análise de 4.351 crianças com retinoblastoma, de 153 países. A sobrevida em três anos, medida pelo mesmo grupo em 2022 na revista The Lancet Global Health, chegou a 99,5% nos países de renda alta e a 57,3% nos de renda baixa. O estudo de 2020 apontou a leucocoria como o sinal mais comum na chegada ao médico.
A conta do olho. No retinoblastoma, o diagnóstico cedo muda o tratamento. Tumor pequeno costuma ser tratado com laser, frio ou quimioterapia dentro do olho. Tumor grande pode exigir a retirada do olho para salvar a criança.
A conta da idade. O retinoblastoma aparece quase sempre antes dos cinco anos, e boa parte dos casos começa no primeiro e no segundo ano. É a faixa exata das consultas de rotina, quando o pai ainda leva o filho ao pediatra com frequência.
O que fica sem resposta. A família brasileira não encontra um painel público nacional com a cobertura do teste do olhinho por consulta. Sem esse número, ninguém consegue dizer quantos bebês fazem o exame só na maternidade.
Na nossa opinião: três minutos e meio no ano, divididos em 7 consultas, compram a chance de achar o problema dentro da janela em que ele tem tratamento.
Na última consulta, o pediatra apagou a luz para olhar os olhos do seu filho?
Hoje: abra a Caderneta da Criança, uma página só, a da saúde ocular, e confira a data do último teste do olhinho; se o campo estiver vazio, escreva o pedido na capa para a próxima consulta.
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