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A primeira conta é a do termômetro. Em bebê com menos de 3 meses, temperatura de 38 graus ou mais pede avaliação médica no dia, mesmo que ele pareça bem. Espirro com febre deixa de ser reflexo de limpeza e passa a ser possível infecção.
A segunda conta é a da respiração. Com o bebê dormindo, o pai conta quantas vezes a barriga sobe em 1 minuto inteiro, no relógio. A estratégia AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância), lançada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Unicef em 1995, considera rápida, em bebê com menos de 2 meses, a respiração de 60 movimentos ou mais por minuto.
O som da respiração também entra na conta. Chiado (o som de apito na saída do ar), gemido a cada respiração, narinas abrindo e fechando com força e pele afundando entre as costelas são sinais de esforço pra respirar. É o quadro típico da bronquiolite (a inflamação dos canais mais finos do pulmão), comum nos primeiros meses. Qualquer um desses sinais, com ou sem espirro, pede atendimento.
A terceira conta é a da mamada. Bebê que recusa o peito duas ou três vezes seguidas, mama muito menos que o habitual ou molha bem menos fraldas em 24 horas está avisando que algo mudou. Nariz tão entupido que impede a mamada também entra na lista.
O soluço tem os próprios sinais de alerta. Soluço acompanhado de golfada em jato, que sai com força e passa do colo do pai, choro de dor com as pernas encolhidas e costas arqueadas depois de mamar pedem consulta.
O vômito em jato tem um nome que o pai deve conhecer. A estenose hipertrófica do piloro (um engrossamento do músculo na saída do estômago, que impede o leite de seguir pro intestino) costuma aparecer entre a segunda e a oitava semana de vida. O bebê vomita com força logo depois de mamar, continua com fome e perde peso. O diagnóstico sai num ultrassom, e o tratamento é uma cirurgia curta.
O refluxo comum também tem nome. Refluxo gastroesofágico (a volta do leite do estômago pra boca) é frequente no primeiro ano e, sem perda de peso nem dor, dispensa remédio. O ganho de peso na consulta de rotina mostra se o refluxo atrapalha o bebê.
As afirmações desta edição, com quem as produziu: • Atividade cerebral a cada soluço do recém-nascido: Kimberley Whitehead e colegas, University College London, 2019 • Respiração rápida a partir de 60 por minuto antes dos 2 meses: AIDPI, Organização Mundial da Saúde e Unicef, 1995 • Aleitamento exclusivo até os 6 meses: Organização Mundial da Saúde, 2001
Vale dizer o que ainda não se sabe. A ciência não fechou por que o soluço existe. A hipótese do grupo de Londres, de que ele treina os músculos da respiração, é a mais citada, mas ninguém explicou qual função o soluço teria no adulto, que já respira sem treino.
Hoje: conte as respirações do bebê dormindo, 1 minuto inteiro no relógio, e anote o número num papel colado na geladeira. Com o número normal do seu filho anotado, a conta do dia em que ele estiver doente fica fácil de comparar.
“Qual simpatia pro soluço a sua família ensinou na primeira semana do bebê?”
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